Quando se fala em infarto, a imagem mais conhecida costuma ser a de uma dor forte e repentina no peito, que pode irradiar para o braço. Embora esse seja um dos principais sinais, o quadro nem sempre se manifesta dessa forma, especialmente entre as mulheres.
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o alerta é para que sintomas que parecem menos relacionados ao coração também sejam levados a sério. Falta de ar, náuseas, tontura, suor frio, dor nas costas, pescoço ou mandíbula e cansaço incomum podem estar entre os sinais de um infarto em mulheres.
“É importante que a mulher conheça os fatores de risco e não atribua automaticamente um mal-estar a outras causas. O reconhecimento dos sintomas e a procura rápida por atendimento podem fazer diferença no tratamento”, alerta o cardiologista Marcelo Rodrigues Crespo, diretor de Mercado da Unimed Sul Capixaba.
Por que os sintomas podem passar despercebidos?
A dor ou o desconforto no peito continua sendo o sintoma mais comum do infarto também entre as mulheres. No entanto, elas podem apresentar uma combinação de sintomas menos específicos, como falta de ar, náusea ou vômito, dor ou pressão nas costas, ombros, pescoço ou mandíbula e fadiga intensa. Essa variedade pode dificultar o reconhecimento de que existe uma emergência cardiovascular.
Por isso, sintomas súbitos e diferentes do habitual não devem ser ignorados, principalmente quando aparecem associados. O Ministério da Saúde orienta que, diante de sinais sugestivos de infarto, o atendimento de urgência deve ser procurado imediatamente. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo número 192.
O risco não começa na velhice
Outro ponto importante é que cuidar do coração não deve ser uma preocupação apenas depois dos 50 ou 60 anos. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada estão entre os fatores que aumentam o risco cardiovascular. A hipertensão, em especial, pode permanecer sem sintomas e, sem controle adequado, aumentar o risco de complicações como infarto e AVC.
Nas mulheres, algumas condições específicas também merecem atenção. A transição para a menopausa está associada a alterações hormonais e metabólicas que podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular. Histórico familiar, síndrome dos ovários policísticos e algumas doenças autoimunes também podem fazer parte da avaliação individual de risco.
“Prevenção significa acompanhar a pressão arterial, o colesterol, a glicemia e outros fatores de risco, além de manter hábitos de vida saudáveis. Esse cuidado deve acontecer ao longo de toda a vida, e não apenas quando surge algum sintoma”, explica Marcelo Crespo.
Como proteger a saúde do coração?
A prevenção das doenças cardiovasculares passa por medidas que fazem parte da rotina: praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, não fumar, controlar o peso e acompanhar fatores como pressão arterial, colesterol e diabetes. A Organização Mundial da Saúde destaca que grande parte das doenças cardiovasculares pode ser prevenida por meio do controle de fatores de risco comportamentais e da identificação precoce de alterações.
Também é importante realizar acompanhamento médico periódico, especialmente para quem possui fatores de risco ou histórico familiar de doenças cardiovasculares.
Mais do que esperar por um sinal de alerta, cuidar do coração é um processo contínuo. E, no caso das mulheres, reconhecer que os sintomas de um infarto podem não seguir o padrão mais conhecido é parte importante desse cuidado.
Em caso de sintomas sugestivos de infarto, não espere passar. Procure atendimento de emergência imediatamente ou acione o SAMU pelo 192.








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