A proteína é importante para a construção muscular, controle da fome e recuperação do organismo. Porém, para pessoas com doença inflamatória intestinal (DII), como doença de Crohn e colite ulcerativa, o excesso e o tipo de proteína consumida podem influenciar os sintomas.
A inflamação e a má absorção de nutrientes podem aumentar a necessidade de proteína, especialmente durante crises, quando também pode ocorrer perda de peso e massa muscular. Por outro lado, uma dieta muito rica em proteína e pobre em fibras pode fazer com que parte do nutriente chegue ao cólon e provoque desconforto.
Quando o excesso pode causar problemas
Segundo especialistas, o excesso de proteína pode estar relacionado a sintomas como inchaço, cólicas, diarreia, náusea e gases. A proteína não digerida pode chegar ao cólon e sofrer fermentação, produzindo substâncias que podem irritar a região.
Para pessoas com problemas intestinais, a recomendação citada na matéria é de até 1,2 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso corporal, embora a quantidade varie conforme atividade física e características individuais.
Quais fontes de proteína são melhores?
Além da quantidade, o tipo de alimento também importa. Carnes vermelhas, principalmente cortes gordurosos, devem ser limitadas ou evitadas por pessoas com DII. Carnes processadas e frios também merecem atenção devido aos conservantes e aditivos.
Barras, shakes e suplementos proteicos podem conter açúcares, adoçantes, emulsificantes, conservantes e gordura, que podem agravar os sintomas em algumas pessoas. Quando consumidos, a orientação é optar por produtos com poucos ingredientes e moderação.
Entre as opções geralmente melhor toleradas estão frango, peru, ovos e peixes, especialmente salmão e sardinha. Proteínas vegetais, como tofu, feijão, lentilha e pastas de oleaginosas, também podem fazer parte da alimentação, de acordo com a tolerância individual.
Alimentos ricos em fibras podem ser mais difíceis de tolerar durante uma crise e devem ser introduzidos gradualmente.
E os laticínios?
A tolerância varia de pessoa para pessoa. Uma metanálise de 2024 com 37 estudos não encontrou evidências claras de que leite e derivados piorem os resultados da DII. Alguns estudos, inclusive, apontaram possível redução do risco de colite ulcerativa com o consumo de leite e iogurte.
Como adaptar a alimentação
Não existe uma única dieta que funcione para todas as pessoas com doença inflamatória intestinal. Durante uma crise, pode ser necessário priorizar proteínas mais fáceis de digerir e reduzir fibras. Na remissão, outras opções podem ser reintroduzidas gradualmente.
A recomendação é buscar acompanhamento de um nutricionista especializado em DII. Um diário alimentar também pode ajudar a identificar alimentos que desencadeiam sintomas.
O objetivo não é eliminar a proteína, mas ajustar a quantidade e as fontes às necessidades e à tolerância de cada pessoa.








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