Quanto tempo diante das telas pode prejudicar a saúde dos olhos?

Quanto tempo diante das telas pode prejudicar a saúde dos olhos?

Celular, computador, tablet e televisão fazem parte da rotina de trabalho, estudo, lazer e comunicação. Com tantas atividades concentradas nas telas, é comum passar várias horas do dia olhando para dispositivos digitais. Mas afinal, quanto tempo diante das telas pode prejudicar a saúde dos olhos?

A resposta não está apenas na quantidade de horas. O uso prolongado e contínuo pode favorecer sintomas como ressecamento, ardência, sensação de peso nos olhos, visão embaçada, lacrimejamento e dor de cabeça. Isso acontece, entre outros fatores, porque a frequência do piscar tende a diminuir quando a pessoa permanece concentrada diante de uma tela.

“Não existe um número único de horas que determine quando a tela passa a fazer mal aos olhos. O mais importante é observar como esse tempo é distribuído ao longo do dia e evitar períodos prolongados sem descanso visual. Quando ficamos muito tempo concentrados em uma tela, piscamos menos, o que pode aumentar a evaporação da lágrima e provocar sintomas de ressecamento e cansaço ocular”, explica Marcelo Laender Abrantes, oftalmologista da Unimed Sul Capixaba.

O problema está no uso contínuo

Uma dúvida frequente é se a luz emitida por celulares e computadores pode causar danos permanentes à visão. Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, não há evidências de que a luz das telas provoque lesões permanentes nos olhos. O desconforto associado ao uso prolongado está mais relacionado à forma como os dispositivos são utilizados do que à luz emitida por eles.

Isso não significa, porém, que seja recomendável permanecer horas seguidas diante de uma tela. Fazer pausas durante atividades de visão de perto é uma das principais medidas para reduzir o cansaço visual.

Uma estratégia simples é a chamada regra 20-20-20: a cada 20 minutos de atividade próxima, a pessoa deve olhar para algo a cerca de seis metros de distância por pelo menos 20 segundos. A recomendação também é adotada pela Organização Mundial da Saúde como uma medida para reduzir sintomas como fadiga ocular e ressecamento.

“Mais do que simplesmente contar as horas, é importante criar pequenas pausas ao longo do dia. Durante esses intervalos, vale desviar o olhar da tela, piscar conscientemente algumas vezes e, sempre que possível, olhar para uma distância maior. São medidas simples, mas que ajudam a reduzir o desconforto”, orienta o especialista.

Distância e iluminação também fazem diferença

A forma como o ambiente está organizado também interfere no conforto visual. Manter a tela a uma distância adequada, reduzir reflexos, evitar brilho excessivo e ajustar o tamanho dos textos são medidas que podem facilitar a leitura e diminuir o esforço dos olhos. Para computadores, a Academia Americana de Oftalmologia recomenda manter a tela aproximadamente à distância de um braço e posicioná-la de modo que o olhar fique levemente direcionado para baixo.

Outro cuidado é evitar o uso de dispositivos muito próximos do rosto, principalmente por períodos prolongados. No caso das crianças, a atenção deve ser ainda maior: atividades de visão de perto, incluindo o uso de smartphones e outros dispositivos, estão associadas ao risco de miopia, enquanto passar mais tempo ao ar livre pode ajudar a reduzir esse risco.

E os óculos contra luz azul?

A preocupação com a chamada luz azul das telas também se tornou comum. No entanto, não há evidências de que a luz azul emitida por computadores, celulares e tablets cause doenças da retina ou degeneração macular. Da mesma forma, a Academia Americana de Oftalmologia não recomenda óculos especiais com filtro de luz azul para prevenir danos oculares causados pelo uso de computadores.

À noite, porém, reduzir a exposição às telas pode ser interessante por outro motivo: a luz azul pode interferir no ritmo circadiano e dificultar o sono. Por isso, diminuir o uso de dispositivos antes de dormir e utilizar recursos como o modo noturno podem ajudar na rotina de sono.

Quando procurar um oftalmologista?

O cansaço visual relacionado ao uso de telas costuma ser temporário e tende a melhorar quando a pessoa interrompe a atividade. Quando os sintomas são frequentes, persistentes ou acompanhados de alterações na visão, entretanto, é importante buscar avaliação oftalmológica.

“Dor ocular persistente, visão embaçada que não melhora, dificuldade para enxergar ou qualquer alteração visual recorrente merece atenção. Nem todo sintoma deve ser atribuído simplesmente ao excesso de tela. Uma avaliação oftalmológica é importante para identificar se existe outro problema de visão que precisa ser acompanhado”, destaca o médico.

No Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro, a principal recomendação é incorporar o cuidado com os olhos à rotina. Fazer pausas, piscar com frequência, manter uma distância adequada das telas e realizar avaliações oftalmológicas quando indicadas são atitudes simples que contribuem para uma relação mais saudável com os dispositivos digitais.

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