A Orquestra Brasileira de Cantores Cegos estreia o quarto repertório do projeto no palco do Theatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória, em três datas, entre os dias 09 e 11 de setembro (quarta a sexta-feira). A entrada é gratuita e os interessados devem retirar os ingressos na plataforma Sympla (o link está disponível na bio do Instagram).
O espetáculo cênico-musical constrói uma experiência que perpassa diferentes localidades do Brasil. O quarto repertório leva ao público cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e comunidades quilombolas.
A diretora cênica e artística do espetáculo, Rejane Arruda, destaca que a nova montagem traz uma força e uma intensidade diferentes. “Com esse novo repertório, estamos dando mais um passo para consolidar a Orquestra Brasileira de Cantores Cegos como um espetáculo híbrido no qual a camada performativa tem um valor muito grande”, afirma.
Para ela, a nova temporada traz movimentos cênicos de muita força coletiva aliados a um repertório formado exclusivamente por canções de trabalho. “Estamos dando ênfase na questão social, por exemplo, com a canção ‘Adeus Riacho da Onça’, que tem um testemunho sobre uma tragédia social, ou o jongo ‘Eu Plantei Café de Meia’, com os próprios cantores cegos simbolizando cenicamente a resistência das comunidades tradicionais.”
Desde 2023, o grupo de cantores cegos já é reconhecido nacionalmente pela proposta artística inovadora e pelo trabalho de valorização da cultura brasileira por meio da música, da inclusão e da acessibilidade.
A Orquestra Brasileira de Cantores Cegos é fruto da iniciativa da Associação Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil) e da Cia Poéticas da Cena Contemporânea.
A nova temporada é realizada com patrocínio do ITAÚ e do Grupo MIP (MIP Construtora e Multilift Logística) por meio da Lei Rouanet, a Lei Federal de Incentivo à Cultura, operacionalizada pelo Ministério da Cultura (MinC). Também conta com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult) e do Theatro Carlos Gomes.
Acessibilidade
As pessoas com deficiência podem enviar uma mensagem para o número de Whatsapp da SOCA Brasil [(27) 99609-8181] e reservar ingressos, além de alinhar as condições de acolhimento durante a chegada ao local da apresentação e de acomodação para assistir ao espetáculo.
Recursos de acessibilidade estarão disponíveis e incluem a audiodescrição para pessoas cegas e a presença de intérpretes para fazer a tradução simultânea em Libras.
O Theatro Carlos Gomes passou por obras de restauração e readequação, que foram inauguradas em novembro de 2025, com a instalação de um elevador que leva o público a todos os andares, uma plataforma elevatória para o palco e o elevador da orquestra. O teatro conta, ainda, com banheiros e camarim acessíveis.
Viagem musical pelo Brasil
O Espírito Santo está representado no novo espetáculo com as canções de congo “Quebra Gabiroba” e “Adeus Meu Pessoal”, tradicionalmente transmitidas pela Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras.
A diversidade cultural brasileira também está presente no repertório com canções de coco de roda, da chula da bata do milho, da mineração, das lavadeiras, das catadoras de mangaba, das destaladeiras de fumo, além das cantigas de canoeiro e dos povos originários Kaingang, do Sul do Brasil, e Mehinako, de Mato Grosso.
O repertório foi construído a partir da pesquisa de campo realizada por Renata Mattar, que percorre o país inteiro registrando cantigas ancestrais.
“Mais do que reunir canções de diferentes lugares, este repertório busca criar uma paisagem sonora e afetiva do Brasil. Ao longo dos anos, conheci comunidades rurais, trabalhadores e trabalhadoras que ainda cantam durante o trabalho ou que guardam na memória cantigas aprendidas de seus pais, avós e companheiros de labuta. São cantos que falam também de encontros, de resistência, de memória, de natureza, de comunidade e de beleza”, contextualiza Renata.
Todos os quatro repertórios do projeto levam o público a um passeio por diferentes culturas do Brasil. O primeiro repertório estreou em 2023 e novos espetáculos ganharam os palcos em 2024 e em 2025.
Espetáculo cênico
A direção artística da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos trabalha a combinação de linguagens entre as artes cênicas e o canto coral. No quarto espetáculo do projeto, a produção montará um olho d’água, um pequeno lago artificial no palco, que vai se juntar às diversas bonecas que farão parte da cenografia e do figurino.
Os cantores que fazem parte desta temporada são Maria Trancoso, Marta Trancoso, Elizabeth Mutz, Eusilane Lopes, Lucinéia Santos, Kelly Almeida, Geovana Santos, Joseni Vitorino, Sayonara Reis, Maria das Graças, Manoel Peçanha, Adair Jervaz, Gilberto Christo, Rogério Sousa, Maycon Machado, Elias Barcellos e Antônio Fadini.
“Fazer parte desse grupo de cantores cegos tem sido algo surpreendente”, afirma a cantora cega Joseni Vitorino. “A impressão que fica em cada um de nós é que, a cada repertório, vivenciamos novas histórias cantadas por aqueles que vieram antes de nós.”
O cantor cego Gilberto Christo já tinha conhecimento de música porque toca instrumentos de corda. Mas participar desse espetáculo é uma experiência diferente. “É um desafio a questão de aprender um novo repertório. Mas contamos com um excelente maestro e, com ele, tudo fica fácil. Quando subimos no palco e entramos em cena, é algo sensacional de viver”, declara.
As apresentações também contam com as performances dos artistas da Cia Poéticas da Cena Contemporânea que, dividindo o palco com os cantores cegos, auxiliam nos deslocamentos e transmitem performatividade e dramaticidade nas cenas.
A cantora e preparadora vocal Tarita de Souza compôs os arranjos musicais para voz, piano e percussão corporal, dialogando com o popular e o erudito. O maestro Thomas Davison encara o desafio de reger pessoas que não enxergam com as suas mãos, estalando os dedos, batendo palmas e fazendo batidas dos pés no chão. O grupo de cantores também é acompanhado pelo som do piano de Ewelyn Drummond.
ORQUESTRA BRASILEIRA DE CANTORES CEGOS – 4º REPERTÓRIO
09 a 11 de setembro
Quarta-feira (09/09) – Sessão única de estreia: às 20h (Link para ingresso)
Quinta-feira (10/09) – 1ª sessão: 15h (Link para ingresso) | 2ª sessão: 20h (Link para ingresso)
Sexta-feira (11/09) – 1ª sessão: 15h (Link para ingresso) | 2ª sessão: 20h (Link para ingresso)
Theatro Carlos Gomes – Rua Barão de Itapemirim, 232 – Praça Costa Pereira, Centro, Vitória.
Ingressos gratuitos disponíveis na Plataforma Sympla. Escolha as sessões no https://lnk.bio/obrcc
Whatsapp SOCA BRASIL: (27) 99609-8181 (agendamento de turmas, grupos, PCD e idosos)








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