Dor nos dentes ao tomar água gelada pode indicar problemas mais sérios

Dor nos dentes ao tomar água gelada pode indicar problemas mais sérios

Choque ao tomar água gelada, incomodo ao respirar pela boca, ao comer doce ou frutas cítricas e desconforto até na escovação. Com a queda das temperaturas, esses sintomas tendem a se intensificar e costumam ser atribuídos apenas à sensibilidade dentária. Mas nem sempre é só isso.

Em alguns casos, a dor pode estar ligada a cáries, retração gengival, desgaste do esmalte, bruxismo e até quadros de sinusite, especialmente quando o desconforto atinge os dentes superiores. Saber diferenciar uma reação passageira do frio de um sinal de alerta pode evitar o agravamento do problema. A Sociedade Brasileira de Endodontia reforça que, se a sensibilidade não for momentânea e durar mais de 30 segundos, é necessário buscar atendimento odontológico com urgência.

uando pode não ser apenas sensibilidade

De acordo com o especialista, dores causadas por cáries ou outros problemas bucais costumam aparecer de forma mais localizada, principalmente durante a mastigação ou após estímulo direto sobre o dente afetado. Alteração na cor do dente, dor pulsante e desconforto persistente também merecem atenção.

Já a sensibilidade dentária típica do frio costuma ser mais difusa e momentânea. Muitas vezes, o paciente nem consegue identificar com precisão qual dente está doendo. Ainda assim, o sintoma não deve ser banalizado.

Outro fator comum no inverno é a sinusite, que também pode provocar dor semelhante à dor de dente, sobretudo nos dentes superiores. Isso acontece porque as raízes dos molares e pré-molares ficam próximas ao seio maxilar, região afetada durante as crises. “O incômodo pode ser muito parecido com o de um problema dentário, mas tende a desaparecer quando a sinusite melhora”, afirma Kyrillos.

Quem sofre mais com o frio

Algumas condições deixam a boca mais vulnerável à sensibilidade, como erosão dentária, bruxismo e retração gengival. “O esmalte é a camada que protege o dente. Quando ele sofre desgaste, a dentina fica exposta. Como essa região possui canais microscópicos ligados à polpa dental, onde estão os nervos e vasos sanguíneos, o estímulo chega com muito mais facilidade e gera a dor característica”, explica o dentista.

Esse desgaste pode estar relacionado a escovação excessiva, consumo frequente de alimentos e bebidas ácidas, ranger dos dentes e recuo da gengiva.

O que pode ajudar a aliviar

Entre as medidas mais simples, o especialista recomenda trocar o creme dental por versões específicas para dentes sensíveis, preferencialmente com ativos como nitrato de potássio e fluoreto de amina. Enxaguantes voltados para esse mesmo fim também podem ajudar. Além disso, vale adotar escovas de cerdas macias, evitar escovação com força e reduzir o consumo de itens erosivos, como limão, laranja e vinho.

Nos casos mais intensos, o dentista pode indicar tratamentos como fluorterapia, laserterapia, entre outros, para formar uma camada protetora sobre o dente. Em situações específicas, também pode haver indicação de proteção bucal noturna, desde que com avaliação profissional. “Uma dor que parece simples pode indicar desgaste, inflamação ou outro problema em evolução. O ideal é não esperar o sintoma piorar para investigar”, conclui Kyrillos.

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