Novo código de ética para nutricionistas gera debate sobre atuação nas redes sociais

Novo código de ética para nutricionistas gera debate sobre atuação nas redes sociais

As novas regras do Código de Ética dos Nutricionistas, publicadas pelo Conselho Federal de Nutrição (CFN), têm provocado discussões entre profissionais da área, especialmente em relação à comunicação nas redes sociais.

Entre os pontos mais debatidos está a ampliação da proibição de publicações que apresentem resultados de pacientes em formatos conhecidos como “antes e depois”. A restrição passa a abranger não apenas fotografias corporais, mas também informações relacionadas à composição corporal, exames laboratoriais, dados clínicos, gráficos e imagens produzidas por inteligência artificial.

A norma vale mesmo quando há autorização do paciente e também impede que o próprio nutricionista divulgue informações sobre sua evolução corporal. A exceção ocorre em contextos técnico-científicos, como congressos, aulas, cursos e publicações acadêmicas.

Parte dos profissionais considera que a medida dificulta a demonstração dos resultados obtidos por meio do acompanhamento nutricional e limita ações educativas nas redes sociais. Outro argumento é que as restrições atingem apenas os nutricionistas, enquanto influenciadores e pessoas sem formação específica continuam produzindo conteúdo sobre alimentação sem estarem sujeitos às mesmas normas.

Por outro lado, o CFN afirma que as mudanças foram construídas ao longo de anos de debates e têm como objetivo proteger a população, evitando comparações inadequadas, promessas de resultados e possíveis impactos negativos na saúde mental dos usuários.

Diante da repercussão, o Conselho abriu um canal para receber sugestões e manifestações da categoria. Apesar disso, a resolução segue válida e deve entrar em vigor no final de julho.

Debate sobre a divulgação de resultados

A principal divergência envolve a divulgação de resultados clínicos e corporais. Enquanto o Conselho entende que esse tipo de publicação pode gerar expectativas irreais e estimular comparações prejudiciais, muitos profissionais defendem que determinados dados, especialmente exames laboratoriais apresentados de forma anônima, possuem caráter educativo e ajudam a demonstrar os benefícios de hábitos alimentares saudáveis.

Especialistas apontam que a exibição de fotos corporais costuma estar mais ligada à estética do que à saúde, mas consideram que indicadores clínicos podem contribuir para a conscientização dos pacientes quando utilizados de maneira responsável.

Críticas entre profissionais também seguem restritas

Outro ponto que continua gerando questionamentos é a proibição de manifestações públicas que possam ser interpretadas como depreciação da conduta de outros nutricionistas ou instituições.

Profissionais argumentam que a regra pode dificultar o combate à desinformação, especialmente em um cenário em que conteúdos sem respaldo científico circulam amplamente nas redes sociais. Há receio de que críticas a práticas consideradas inadequadas sejam interpretadas como infrações éticas.

Mudanças consideradas positivas

Entre as alterações bem recebidas pela categoria está a proibição do uso de títulos e especializações não reconhecidos oficialmente pelo CFN. Também passa a ser vedada a imposição de condutas baseadas em crenças religiosas, políticas, filosóficas ou ideológicas.

O novo código ainda autoriza o uso de inteligência artificial em atividades administrativas e burocráticas, desde que a tecnologia não substitua a avaliação técnica, o atendimento direto e a tomada de decisões profissionais.

Penalidades

O descumprimento das normas pode resultar em advertências, repreensões, multas, suspensão temporária do registro profissional e, em casos mais graves, na cassação definitiva do registro junto ao Conselho.

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