O Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (HECI), referência em cardiologia pediátrica e adulta, reforça que a prevenção da hipertensão arterial no adulto deve começar ainda na infância. O tema, amplamente discutido especialmente durante a Semana do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial (26/04), merece atenção ao longo de todo o ano, uma vez que a hipertensão na faixa etária pediátrica é uma realidade crescente, sobretudo devido ao aumento dos casos de sobrepeso e obesidade, principais fatores associados à forma primária da doença.
Embora mais prevalente em adultos, a hipertensão arterial também pode ocorrer em crianças e adolescentes. Segundo a cardiopediatra do HECI, Andressa Mussi, a detecção precoce é fundamental.
“Durante a consulta pediátrica, é essencial que a criança seja avaliada de forma completa, incluindo a aferição da pressão arterial”, destaca a médica.

A recomendação atual é que todas as crianças a partir dos três anos de idade tenham a pressão arterial aferida em todas as consultas de rotina.
“Quando essa avaliação não é realizada de forma sistemática, a hipertensão pode passar despercebida, retardando o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado”, complementa.
Em situações específicas, a aferição deve ser iniciada antes dos três anos, como em crianças com histórico neonatal relevante (prematuridade, baixo peso ao nascer), doenças cardíacas congênitas, doenças renais, uso de determinadas medicações ou histórico de internações prolongadas.
Na maioria dos casos, crianças e adolescentes com hipertensão são assintomáticos. No entanto, alguns podem apresentar sintomas como cefaleia, irritabilidade, alterações do sono ou dificuldade de concentração.
Nos adultos, a hipertensão arterial, tradicionalmente definida como níveis de pressão arterial ≥140/90 mmHg, tem sido reconhecida de forma mais precoce em diretrizes internacionais, que já consideram valores a partir de 130/80 mmHg como elevados. Afeta cerca de 30% da população brasileira e é um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Trata-se, muitas vezes, de uma condição silenciosa, mas com grande impacto em saúde pública devido às suas complicações.
Tratamento e prevenção
A abordagem inicial da hipertensão arterial em crianças e adolescentes é, na maioria dos casos, não medicamentosa, com foco na adoção de hábitos de vida saudáveis, como prática regular de atividade física e alimentação equilibrada. Mesmo quando há necessidade de tratamento farmacológico, essas medidas devem ser mantidas.
É fundamental que pais e responsáveis proporcionem um ambiente saudável, com oferta de alimentos naturais, incentivo à prática de atividades físicas e limitação do tempo de tela.
“Alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, sorvetes e bebidas açucaradas, apresentam alta densidade de sódio, açúcares e gorduras, além de aditivos, contribuindo para o aumento do risco cardiovascular desde a infância”, explica a cardiopediatra.
A aferição da pressão arterial é um procedimento simples, rápido e essencial, que deve fazer parte das consultas de rotina. A recomendação é que pais e responsáveis mantenham o acompanhamento pediátrico regular e incentivem hábitos saudáveis desde cedo.
Na vida adulta, esses mesmos princípios continuam sendo fundamentais para a prevenção e o controle da hipertensão arterial.









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