Uma crise de enxaqueca não é apenas uma “forte dor de cabeça”. A enxaqueca é uma condição neurológica debilitante que pode causar náuseas, vômitos e sensibilidade à luz ou ao som, além de fortes dores de cabeça.
A enxaqueca afeta milhões de pessoas, mas os diferentes estágios de uma crise de enxaqueca ainda são pouco conhecidos. Aprender sobre as quatro fases distintas pode ajudar a reconhecer os sintomas e a controlar a dor em cada estágio.
Fase 1: Premonitória
A primeira fase do desenvolvimento da enxaqueca é a fase “premonitória” ou “pródromo”. Ela funciona como um período de alerta que começa de 24 a 48 horas antes do início completo de uma crise de enxaqueca.
A fase premonitória está intimamente ligada ao hipotálamo, a parte do cérebro que regula funções essenciais como a temperatura corporal, o apetite, o humor e o sono.
Quando uma pessoa sofre uma crise de enxaqueca, seu hipotálamo é ativado de forma anormal. O hipotálamo está conectado a outras partes do cérebro com funções diferentes, portanto, essa ativação anormal também pode afetar o funcionamento dessas partes.
Isso pode levar a sintomas como dificuldade de concentração, desejos por certos alimentos, irritabilidade e insônia. Se você notar esses sinais precocemente, terá mais chances de identificar o início de uma crise de enxaqueca e tratá-la logo no começo.
Fase 2: Aura
A segunda fase de uma crise de enxaqueca é chamada de “aura”. Aura refere-se a vários sintomas neurológicos que afetam a visão, a fala ou a capacidade de sentir sensações. As auras visuais, que afetam principalmente a visão, são as mais comuns.
Os sintomas da aura visual podem incluir flashes de luz, formas giratórias ou pontos cegos. Uma aura sensorial pode causar dormência ou formigamento no rosto ou nos membros. Em casos graves, a pessoa pode até ter dificuldade para falar.
Pesquisas sugerem que um processo chamado depressão cortical alastrante contribui para os sintomas da aura. Durante esse processo, uma onda de atividade elétrica se propaga muito lentamente pelo cérebro e pode afetar o funcionamento de certas regiões cerebrais. Apenas 30% das pessoas sofrem de enxaqueca com aura.
Fase 3: Dor de cabeça
A terceira fase de uma crise de enxaqueca é a dor de cabeça. É quando as pessoas normalmente sentem uma dor de cabeça latejante ou pulsante, juntamente com outros sintomas como náuseas e sensibilidade à luz e ao som.
Essa fase geralmente dura entre quatro e 72 horas se não for tratada. Quando diferentes redes cerebrais são ativadas durante uma crise de enxaqueca, outros sintomas podem surgir além da dor de cabeça.
Quando a medula oblonga, ou “centro do vômito” localizado no cérebro, é ativada de forma anormal, isso pode causar náuseas e vômitos. O nervo trigêmeo, responsável pelas sensações no rosto, também pode sofrer ativação anormal. Isso causa a liberação de substâncias químicas que podem ser interpretadas pelo cérebro como dor.
Uma dessas substâncias químicas é uma proteína chamada peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). Alguns tipos de medicamentos injetáveis para enxaqueca bloqueiam essa proteína para reduzir a dor.
Fase 4: Pós-dromo
A quarta e última fase é o “pós-dromo”. Também é conhecida como “ressaca da enxaqueca”. Durante essa fase de recuperação, seu cérebro trabalha intensamente para retornar ao seu funcionamento normal. É por isso que você pode se sentir ainda mais cansado ou ter dificuldade de concentração após uma crise de enxaqueca.
Então, como posso lidar com uma crise de enxaqueca?
Conhecer os sintomas e os estágios de desenvolvimento da enxaqueca ajuda bastante. Se você apresentar sintomas previsíveis, principalmente durante a fase prodrômica, é melhor levar consigo analgésicos ou comprimidos para enjoo.
Dessa forma, você poderá tratar os sintomas iniciais assim que surgirem. Também pode ser um sinal para descansar, idealmente antes que a dor de cabeça se instale. Na fase da aura, tomar medicamentos específicos para enxaqueca, como triptanos, aspirina ou analgésicos anti-inflamatórios, pode impedir o início da fase da dor de cabeça.
Se você tem mais de quatro crises de enxaqueca por mês, pode considerar o uso de medicamentos preventivos. Geralmente, são comprimidos de uso diário que ajudam a controlar a intensidade da dor de cabeça. Também existem opções injetáveis.
Por fim, não ignore a fase pós-dromal. Se você se esforçar demais durante esse período de recuperação, poderá sofrer crises de enxaqueca sobrepostas. Isso ocorre quando uma crise de enxaqueca começa antes que a anterior tenha se resolvido. Crises de enxaqueca sobrepostas são muito mais difíceis de tratar.
Você também pode apresentar outros sintomas relacionados à crise de enxaqueca. Estes podem incluir tontura, dor no pescoço ou zumbido nos ouvidos. Caso apresente algum desses sintomas adicionais, consulte seu neurologista para verificar se não são causados por uma condição subjacente mais grave.
E se você é uma mulher que sofre de enxaqueca com aura, converse com seu médico antes de começar a usar contraceptivos hormonais. Isso porque você pode precisar de um tratamento diferente de alguém que não apresenta sintomas de aura.
Ao entender as diferentes fases e sintomas da enxaqueca, você estará mais bem preparado para lidar com futuros ataques.
*Lakshini Gunasekera é candidata a doutorado em Neurologia na Universidade Monash.
*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons.








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