Acidentes com estudantes reacendem alerta sobre transporte escolar irregular

Acidentes com estudantes reacendem alerta sobre transporte escolar irregular

Uma sequência de acidentes graves registrados ao longo de 2025, envolvendo estudantes como passageiros de veículos de transporte escolar, reacende um alerta antigo com a volta às aulas em todo o Brasil, a partir de fevereiro: os riscos do uso de serviços clandestinos e da circulação de veículos sem condições adequadas de segurança. A Federação Nacional da Inspeção Veicular (FENIVE) chama a atenção para os cuidados necessários no momento da contratação desse tipo de serviço.

Em março, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, um ônibus que transportava estudantes e professores para uma atividade acadêmica saiu da pista e caiu em uma ribanceira, resultando na morte de sete pessoas e deixando diversos feridos. Segundo informações preliminares, o veículo perdeu os freios antes do acidente.

Já em julho, na BR-153, em Goiás, um acidente envolvendo ônibus que transportavam universitários e um caminhão deixou cinco mortos e vários feridos, reforçando a preocupação com a segurança desse tipo de transporte em rodovias.

“Esses episódios evidenciam um problema estrutural no Brasil: a falta de controle técnico específico e de fiscalização contínua no transporte de estudantes. Cada acidente tem suas particularidades e não permite conclusões antecipadas, mas o conjunto dessas ocorrências justifica o alerta”, afirma o engenheiro mecânico Daniel Bassoli, diretor-executivo da FENIVE.

Segundo a entidade, é fundamental que o transporte escolar cumpra rigorosamente as diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), incluindo a autorização adequada para circulação e a realização de inspeções veiculares periódicas. Essas medidas são essenciais para coibir o transporte irregular ou clandestino e garantir uma fiscalização técnica efetiva.

Crianças e adolescentes

Além dos acidentes envolvendo universitários, ocorrências com veículos que realizam o transporte diário de crianças e adolescentes também acenderam o sinal de alerta. Em julho, uma van escolar capotou em uma estrada vicinal de acesso à BR-365, em Uberlândia (MG), mobilizando equipes de resgate e deixando crianças feridas. No mês seguinte, na zona rural de Ipameri (GO), um acidente com transporte escolar resultou na morte de uma criança de nove anos.

Para Bassoli, os casos revelam um padrão preocupante: veículos operando sem controle técnico adequado, muitas vezes de forma irregular ou clandestina. “Trata-se de um serviço que exige um nível de responsabilidade muito maior. Estamos falando de crianças, adolescentes e jovens que dependem integralmente das condições do veículo para chegar à escola com segurança. Quando esse transporte ocorre sem inspeção periódica, sem motorista qualificado e em desacordo com a legislação, o risco é real e recorrente”, alerta.

O diretor da FENIVE ressalta que falhas mecânicas graves — como desgaste excessivo de freios e pneus, problemas de suspensão, direção e até alterações estruturais — podem ser identificadas em inspeções técnicas adequadas. “A inspeção veicular é o instrumento que detecta essas falhas antes que se transformem em tragédias. Sem ela, o sistema age apenas depois do acidente, quando já é tarde demais”, afirma.

O Código de Trânsito Brasileiro determina que veículos de transporte escolar passem por inspeção semestral, justamente em razão do risco elevado da atividade. No entanto, a FENIVE alerta que a falta de fiscalização efetiva ainda permite a circulação de vans, kombis e ônibus fora dos padrões exigidos, inclusive em viagens rodoviárias longas, fretamentos eventuais e deslocamentos para eventos estudantis.

“Há uma falsa sensação de segurança quando o transporte é contratado apenas pela aparência do veículo ou pelo preço. O transporte clandestino geralmente está associado à falta de manutenção, improvisos técnicos e ao descumprimento da legislação”, conclui Bassoli.

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