Então é Natal! E o que você fez? No Espírito Santo, o ano termina e muitos aproveitam a data festiva para lucrar. Desde novembro, microempreendedores de áreas como artesanato, crochê, confeitaria e decoração passaram a viver o período mais intenso de vendas, considerado até o mais vantajoso do ano.
O fenômeno já aparece em números nacionais. A Pesquisa de Intenção de Compras para o Natal 2025, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com o SPC Brasil, aponta que a data deve movimentar R$ 84,9 bilhões no país, com mais de 124 milhões de consumidores indo às compras. Entre eles, cresce o interesse por produtos personalizados, experiências e itens artesanais — tendência que se confirma no mercado capixaba.
Na confeitaria artesanal, segundo a consultora e mentora de confeitaria Jucy Freitas, dezembro é “a maior vitrine do ano”. Para ela, o período é estratégico não apenas pelo aumento nas vendas, mas pela possibilidade de fidelizar novos clientes que chegam pelo Natal. “A confeiteira bem preparada usa dezembro para faturar e também para transformar esse cliente pontual em comprador constante”, afirma.
A confeiteira Rosamaria Borges, da Consem Açúcar, confirma o movimento. Ela trabalha com doces inclusivos — zero açúcar, zero glúten e zero lactose — e criou para este ano um cardápio especial pensado tanto para sobremesas quanto para presentes. As embalagens são parte essencial da estratégia.
Ela relata que o faturamento de dezembro costuma dobrar, impulsionado por itens sazonais, como panetones artesanais — que seguem a tendência por sabor mais fresco, menor uso de conservantes e estética mais “caseira”.
A confeiteira Mariani Togo, da Mari Togo Confeitaria, também percebe a mudança no comportamento dos consumidores. Segundo ela, o movimento das festas a leva a vender de duas a três vezes mais que nos outros meses. “As pessoas gostam de presentear com algo escolhido com carinho. O artesanal transmite isso”, afirma. A lata de biscoito é seu produto mais procurado — ano passado, vendeu cerca de 50 unidades apenas em dezembro e até pessoas que não moram na Grande Vitória a procuram para presentear à distância.
Crochê, mesa posta e decoração ganham força
No artesanato, a preparação começa ainda mais cedo. A crocheteira Luciene Matos, da Lu Louca por Crochê, iniciou sua produção em setembro, para dar conta das encomendas de trilhos de mesa, sousplat e itens de mesa posta. De acordo com ela, as pessoas querem montar uma ceia bonita e, como o crochê está em alta, muita gente compra para presentear. Luciene destaca também o crescimento das feiras e dos grupos de artesãos, que fortalecem o setor e ampliam o alcance dos produtos personalizados.
Em Jardim da Penha, o coletivo Casa Criativa reúne mais de 60 artesãos de diferentes cidades e funciona como vitrine semanal para produtos exclusivos. Cerâmica, crochê, acessórios, pintura e itens de decoração ganham destaque entre consumidores que buscam originalidade e sustentabilidade. Segundo Flávia Maria Ladeira de Souza, uma das fundadoras, a procura por presentes afetivos se intensifica no Natal. “Quem não gosta de ganhar algo exclusivo, que ninguém mais tem?”, diz.
Os artesãos destacam uma vantagem do setor: não há perda de estoque. Diferente da confeitaria, produtos não vendidos em uma feira podem ser comercializados na semana seguinte, o que ajuda no planejamento e reduz prejuízos.
Planejamento e desafios
Mesmo com alta na demanda, o período traz desafios — especialmente para a confeitaria. A volatilidade nos preços de insumos, como chocolate, leite condensado e frutas secas, exige preparação antecipada. Então, para Jucy, a palavra-chave é planejamento.
A consultora Jucy reforça que antecipar compras é fundamental e resume o sucesso da precificação em quatro pilares:
- Mix de produtos: cardápio alinhado ao perfil do consumidor;
- Precificação: considerando oscilações sazonais de custo;
- Meta de faturamento: definida previamente;
- Organização da produção: do estoque à comunicação e às entregas.
Mesmo com alta na demanda, o período traz desafios — especialmente para a confeitaria. A volatilidade nos preços de insumos, como chocolate, leite condensado e frutas secas, exige preparação antecipada. Então, para Jucy, a palavra-chave é planejamento.
Embora dezembro seja aquecido, janeiro costuma registrar queda significativa nas vendas. Viagens, férias escolares e reajustes de gastos fazem parte do cenário. Por isso, muitas empreendedoras tratam o faturamento extra de dezembro como reserva para manter a operação no início do ano. “Dezembro é o pulmão financeiro para janeiro e fevereiro”, afirma Rosamaria.
Seja um panetone artesanal com recheio farto, uma lata de biscoitos decorada, um trilho de mesa de crochê ou um ornamento de cerâmica, os empreendedores capixabas concordam em um ponto: o que impulsiona as vendas é o afeto. “O Natal é memória. É a chance de mostrar qualidade, reforçar marca e criar relacionamento”, resume Jucy.









Deixe um comentário