“Às vezes, coisas que parecem tão simples, como ouvir o canto de um passarinho e se sentir feliz, ganham destaque em nível nacional.” Foi com esse sentimento que o capixaba Alexandre Volponi, 27 anos, designer, ilustrador e publicitário, venceu o Prêmio Oxford de Design. Sua obra, inspirada nos passarinhos que marcaram sua infância no interior do Espírito Santo, conquistou o público e o júri técnico.
A Oxford, empresa brasileira conhecida pela produção de louças e cerâmicas, realiza anualmente o concurso que reúne artistas de todo o país para criarem estampas para sua linha de produtos. O tema da edição, “O que faz seu dia sorrir”, propunha aos participantes transformar em arte pequenas alegrias da rotina, memórias afetivas e sensações que deixam o cotidiano mais leve.
Para Alexandre, a inspiração surgiu de forma imediata e emocional. Ele conta que sempre passou férias em Alfredo Chaves e Iconha, onde mora parte de sua família materna, e que o canto dos passarinhos é uma lembrança constante e afetiva. “É um som que sempre fez parte do ambiente. Uma memória muito forte para mim”, disse.
Embora acompanhasse o concurso todos os anos, Alexandre nunca havia conseguido participar. Desta vez, um amigo o lembrou da inscrição, e ele precisou criar as artes rapidamente, já no último dia da competição. Mesmo com a pressa, o tema fluiu naturalmente, já que sua conexão com os pássaros sempre fez parte da sua história.
Da votação popular ao reconhecimento técnico
A premiação ocorreu em duas fases. Na primeira etapa, o voto popular selecionou os 15 trabalhos mais votados do Brasil. Para Alexandre, chegar a essa lista já foi motivo de grande emoção, por perceber que pessoas de diversas regiões se mobilizaram por sua arte. “Minha família inteira ajudou, amigos, conhecidos. Ver essa torcida foi muito especial”, lembrou.
Na segunda etapa, o júri técnico escolheu o vencedor. Para Alexandre, o resultado foi marcante. “Eu demorei a acreditar. Participar de um concurso nacional e ter meu trabalho reconhecido dessa forma foi surreal.”
Formado em Publicidade e Design, ele já havia recebido outros prêmios ao longo da carreira, sobretudo por trabalhos desenvolvidos em agências. Mas esta conquista teve um significado diferente. “Foi a primeira vez que algo totalmente meu foi premiado. Não era de uma equipe, de um cliente ou de uma agência. Era Alexandre enquanto pessoa. Isso tem um valor enorme”, afirmou.
Como parte da premiação, ele realizará uma viagem com tudo pago para Brumadinho, em Minas Gerais, onde participará de uma experiência imersiva no Instituto Inhotim, considerado o maior museu a céu aberto do mundo. Além disso, aguarda o momento em que verá sua arte estampada nas porcelanas da Oxford.
O simples que emociona
Entre tantas possibilidades criativas, Alexandre destaca que sua obra fala sobre perceber beleza no cotidiano. “Ver um passarinho e ouvir o canto dele sempre foi algo simples para mim. E isso foi reconhecido nacionalmente. Às vezes, achamos que algo é pequeno demais para virar arte, mas o cotidiano é muito bonito”, explicou.
Os arquivos da criação já foram enviados à Oxford, que inicia agora os testes de produção. As peças com a arte de Alexandre começarão a ser fabricadas nos próximos meses.









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