Durante as férias, a rotina das crianças muda: horários ficam mais flexíveis, atividades saem da escola e sobra mais tempo livre. Nesse período, telas se tornam presença constante, pois são práticas e sempre disponíveis. Pesquisas da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, de agosto de 2025, mostram que 78% das crianças até 3 anos usam telas diariamente, e esse índice sobe para 94% entre 4 e 6 anos. No Sudeste e Centro-Oeste, mais de 80% das famílias recorrem a dispositivos para entreter os pequenos, enquanto no Norte os números são levemente menores, mas ainda altos. Quase metade das crianças de 0 a 6 anos ultrapassa o limite recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que sugere zero uso para bebês e até uma hora diária entre 2 e 5 anos.
Estudos indicam que o uso excessivo de telas na infância se reflete na adolescência, afetando sono, memória e atenção. Dados do NIC.br e da ONU apontam que o Brasil está entre os países com maior uso de internet por crianças e adolescentes, associado a menos atividades físicas, sono reduzido e menor interação social presencial.
Especialistas como Roberta Scalzaretto destacam que o desafio das férias não é eliminar as telas, mas equilibrar o tempo com experiências essenciais como brincar, explorar e conviver. Disponibilizar livros, jogos e materiais criativos, junto da presença de adultos, facilita a transição para atividades não digitais e melhora o padrão de sono. Segundo Roberta, “o importante é criar espaços para que a infância aconteça, com movimento, imaginação e vínculos. As telas podem estar presentes, mas não precisam comandar tudo.”
Roberta Scalzaretto é especialista em Educação Infantil com experiência no Brasil e nos EUA, aplicada à abordagem Pikler. No Brasil, idealizou o projeto Brinquedoteca no Colégio Porto Seguro Panamby e forma educadores da primeira infância, combinando pesquisa, técnica e prática para promover o desenvolvimento integral das crianças.









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