A alimentação pode ser uma grande aliada no equilíbrio emocional. Como explica a nutricionista Lorena Furtado, aquilo que colocamos no prato influencia diretamente o humor e o nível de estresse. Neurotransmissores como serotonina e dopamina exercem ação calmante e anti-inflamatória no organismo, e sua produção depende do triptofano — nutriente presente em alimentos como ovos, banana, sementes, castanhas (como a do Pará), leite, aveia e chocolate amargo com mais de 70% de cacau.
O magnésio também tem papel importante no funcionamento do sistema nervoso e muscular, contribuindo para o relaxamento do corpo e para a sensação de bem-estar. Ele é encontrado em sementes de abóbora, castanhas, oleaginosas, espinafre e farelo de aveia. Já o ômega-3, essencial para a saúde cerebral e para a estabilidade emocional, aparece na chia, na linhaça e em peixes.
Por outro lado, a alimentação também pode prejudicar o humor, especialmente quando há consumo excessivo de carboidratos simples, como açúcares e farinhas refinadas. Esses alimentos provocam picos rápidos de glicose seguidos de quedas abruptas, favorecendo ansiedade, irritabilidade e cansaço.
“Observamos isso principalmente após o consumo de refrigerantes, doces, bolos, biscoitos e pães feitos com farinha branca e açúcar refinado, frequentemente combinados com gorduras trans. São alimentos muito presentes em fast-foods e lojas de conveniência: fáceis de encontrar, mas capazes de causar grandes oscilações no humor”, explica a nutricionista.
Consuma, mas com moderação
Em uma alimentação saudável, até os alimentos benéficos precisam ser consumidos na medida certa. Castanhas, nozes, amêndoas e sementes — fontes de gorduras saudáveis — devem ser ingeridas dentro da porção recomendada, geralmente uma ou duas unidades por dia.
Lorena Furtado destaca ainda a importância do azeite de oliva extravirgem, rico em gorduras poli-insaturadas e antioxidantes. Para adultos, a recomendação é de uma colher de sopa por dia. A nutricionista reforça também que não se deve exagerar no chocolate, mesmo nas versões acima de 70% cacau, nem nas carnes vermelhas, especialmente as mais gordurosas.
Ao mesmo tempo, ela alerta para alguns mitos relacionados à alimentação e ao humor:
“Muitas pessoas pensam: ‘estou desanimado, vou comer um brigadeiro para melhorar’. Mas não funciona assim. Os açúcares refinados até proporcionam um pico imediato de bem-estar, porém logo vem o mal-estar causado pela queda da glicemia. Por isso, recorrer a doces para levantar o astral nem sempre é a melhor alternativa”, afirma.
A nutricionista lembra que outros fatores podem influenciar o humor, como ciclo menstrual, sintomas de depressão e questões neurológicas — condições que variam de pessoa para pessoa e precisam ser investigadas. Não existe alimento milagroso. O equilíbrio emocional depende da combinação entre alimentação adequada, prática de exercícios, sono de qualidade, acompanhamento psicológico e, quando necessário, tratamento medicamentoso.









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