O agronegócio brasileiro pode estar diante de uma de suas maiores oportunidades de diversificação e rentabilidade: o cultivo da Cannabis sativa, conhecida como cânhamo ou maconha.
Um estudo inédito da consultoria Kaya Mind, especializada em inteligência de mercado no segmento da cannabis, aponta que a cultura tem potencial de gerar um retorno líquido por hectare até 11 vezes superior ao da soja.
“No cultivo focado em flores para extração do canabidiol (CBD), o retorno líquido pode atingir R$ 23,3 mil por hectare — um patamar que supera o da soja e do milho somados”, explica Larissa Uchida, economista e CEO da ExpoCannabis Brasil, maior evento do setor na América Latina.
Apesar do potencial, o cultivo de cannabis ainda não é permitido em larga escala no Brasil. Hoje, a produção é restrita a decisões judiciais específicas para pacientes, associações ou fins científicos autorizados pela Anvisa.
Potencial econômico e sustentável
O principal foco do cultivo é o CBD (canabidiol), composto sem efeito psicoativo usado em medicamentos para dor, ansiedade e distúrbios neurológicos. Já o THC (tetraidrocanabinol), responsável pelo efeito psicoativo, também tem aplicações terapêuticas reconhecidas.
Mas os usos da planta vão muito além do campo medicinal. A cannabis pode gerar mais de 25 mil subprodutos:
- Construção civil: biotijolos e bioconcreto;
- Setor têxtil: fibras para tecidos sustentáveis;
- Bioenergia: base para biocombustível;
- Alimentação: sementes ricas em proteína e produção de azeites nutritivos.
“Das sementes, extraímos uma noz super rica, com cerca de 35% de proteína”, destaca Larissa.
Além da versatilidade, a planta chama atenção pela eficiência ambiental: utiliza até dez vezes menos água que o algodão, possui ciclo curto de três meses e pode render quatro safras por ano. Cada hectare cultivado tem potencial para gerar 17,3 empregos diretos.
Caminho para a regulamentação
A regulamentação do cultivo industrial, inicialmente prevista para setembro de 2024, foi prorrogada pela Advocacia-Geral da União (AGU) para 31 de março de 2026. Para Larissa, a decisão pode abrir espaço para um debate mais abrangente:
“Espero que a regulamentação vá além do uso medicinal e contemple também os fins industriais, têxteis e alimentares. O Brasil tem potencial para ser o maior produtor de cannabis industrial do mundo.”
Hoje, países como China, EUA e Uruguai já exploram o cultivo em larga escala. Globalmente, o mercado de cannabis pode movimentar US$ 82,3 bilhões até 2027, segundo projeções internacionais.
Conhecimento e futuro
Enquanto o país ainda discute o tema, a ExpoCannabis Brasil — que chega à terceira edição entre 14 e 16 de novembro, em São Paulo — promete reunir 45 mil visitantes e ampliar o debate sobre o futuro do setor.
“Nosso intuito é educar e mostrar como o mercado pode ser sustentável, rentável e inovador”, resume Larissa Uchida.









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