,

Homem de 96 anos salva vila em Taiwan ao transformá-la com arte

Homem de 96 anos salva vila em Taiwan ao transformá-la com arte

Aos 96 anos, Huang Yung-Fu tornou-se um símbolo vivo da resistência criativa. Ele foi o responsável por transformar uma antiga vila militar em um ponto turístico colorido e, assim, impedir sua demolição.

Uma vila prestes a desaparecer

A vila fica no distrito de Nantun, na cidade de Taichung, em Taiwan. Originalmente chamada de Caihong Juàncūn, ou Vila dos Dependentes Militares do Arco-Íris, o local foi criado para abrigar militares e suas famílias vindas da China continental após 1949.
Durante seu auge, o vilarejo contava com cerca de 1.200 residências, mas com o passar dos anos, muitos moradores deixaram o local e os terrenos começaram a ser vendidos para incorporadoras.

Quando a arte virou resistência

Em 2008, Huang recebeu uma notificação sobre a demolição iminente da vila. Em vez de aceitar a proposta de indenização e deixar sua casa, ele decidiu permanecer. Tudo começou com um pássaro pintado dentro de sua residência. Aos poucos, o idoso expandiu as pinturas para as paredes externas e para as casas vizinhas abandonadas.
O gesto simples, movido por apego e desejo de preservar suas memórias, transformou-se em um movimento artístico espontâneo. As cores vivas e figuras expressivas atraíram a atenção da mídia e dos visitantes, tornando o espaço conhecido como “Rainbow Village”.

Em outubro de 2010, o governo de Taichung reconheceu oficialmente o local como parque público, garantindo sua preservação e interrompendo o processo de demolição. O que era apenas a expressão solitária de um homem idoso se tornou um símbolo nacional de arte, resistência e memória coletiva.

Um legado que continua colorindo o mundo

Huang Yung-Fu faleceu em 23 de janeiro de 2024, aos 100 anos, segundo a contagem local.
Durante sua vida, a Rainbow Village recebeu mais de dois milhões de visitantes e foi reconhecida internacionalmente como um dos espaços culturais mais vibrantes de Taiwan.
Mesmo com algumas reformas e disputas sobre sua conservação, o local continua sendo um ponto de encontro entre arte e história, lembrando que a criatividade pode, literalmente, salvar um lugar do esquecimento.

Deixe um comentário