Um estudo publicado nesta semana na revista científica Nature Scientific Reports apresentou uma técnica inovadora para o diagnóstico e acompanhamento do câncer: o cerumenograma, um exame que analisa metabólitos presentes no cerume, popularmente conhecido como cera de ouvido.
Segundo os pesquisadores, alterações no metabolismo mitocondrial características do câncer liberam compostos orgânicos voláteis que ficam registrados no cerume. Com isso, o exame pode diferenciar pessoas saudáveis daquelas com risco oncológico, além de identificar fases pré-cancerosas, como inflamações hipermetabólicas e displasias, que podem evoluir para tumores.
Como funciona o teste
A técnica utiliza cromatografia de gases acoplada à espectrometria de massas, associada a algoritmos de aprendizado de máquina. Em testes com mais de 700 voluntários, o modelo atingiu uma taxa de acerto superior a 90%, com alta sensibilidade e especificidade.
No grupo controle, formado por pessoas sem diagnóstico de câncer, apenas três casos foram classificados como de “risco oncológico”. Após investigações médicas, esses participantes apresentaram sinais de inflamação ou até recorrência de câncer, confirmando a precisão do método.
Diferenciação e monitoramento
Além de distinguir cânceres de tumores benignos, cistos e metaplasias, o cerumenograma conseguiu identificar todos os casos de displasia, alteração celular que antecede o surgimento de tumores.
Outro ponto inovador é a possibilidade de acompanhar pacientes em tratamento ou em remissão. Em casos relatados pelos cientistas, o exame detectou sinais de risco antes mesmo de exames tradicionais confirmarem a recorrência da doença.
Potencial de impacto
De acordo com os autores, o cerumenograma representa uma alternativa não invasiva, de baixo custo e rápida para auxiliar diagnósticos, reduzir a necessidade de exames caros ou invasivos e apoiar decisões médicas.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que serão necessários novos estudos, especialmente envolvendo pacientes com doenças inflamatórias, para validar e consolidar a técnica como ferramenta clínica.









Deixe um comentário