Brasil vai investir US$ 1 bilhão para preservar florestas tropicais

Brasil vai investir US$ 1 bilhão para preservar florestas tropicais

O governo brasileiro anunciou que vai investir US$ 1 bilhão no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF), iniciativa internacional que busca financiar a preservação das florestas tropicais. O lançamento oficial está previsto para a COP 30, que acontece em 2025, em Belém (PA).

O TFFF tem como objetivo engajar mais de 70 países em desenvolvimento que possuem florestas tropicais, promovendo conservação ambiental com recursos financeiros sustentáveis.

Como vai funcionar o fundo

  • Os países que mantiverem suas florestas em pé receberão dividendos anuais, com monitoramento feito por satélite para garantir o cumprimento das metas.
  • Cada país poderá receber até US$ 4 por hectare conservado.
  • 20% dos recursos serão destinados a povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecendo seu papel histórico na proteção ambiental.

Impacto esperado

Além de fortalecer o compromisso global com a preservação das florestas, o fundo pretende incentivar uma gestão financeira transparente, garantindo que os recursos cheguem a quem está na linha de frente da proteção. O Brasil, como país com a maior floresta tropical do planeta, será peça-chave na articulação desse projeto.

Especialistas avaliam que o TFFF pode se tornar um dos mecanismos mais relevantes para alinhar preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e justiça climática, especialmente em países que sofrem pressão do desmatamento.

Críticas e alertas

Apesar do entusiasmo, organizações ambientais apontam riscos. Algumas classificam o TFFF como uma “solução falsa”, que pode transformar florestas em commodity financeira, sem enfrentar de fato as causas estruturais do desmatamento. Também questionam o valor de US$ 4 por hectare, considerado muito baixo frente ao real valor dos serviços ambientais, além da dependência de mercados financeiros, que tornam o mecanismo vulnerável a crises e especulação.

Outro ponto levantado é a necessidade de maior participação de povos indígenas e comunidades locais na governança do fundo, garantindo que tenham acesso direto aos recursos.

Para ter efeito real, o TFFF precisará ser acompanhado por leis nacionais que cerrem brechas de financiamento de atividades destrutivas, evitando que o mecanismo vire fachada, sem impacto concreto.”, alerta a organização Global Witness em posicionamento sobre o fundo.

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