“Já vi crianças que não falavam começarem a vocalizar através da música. Idosos recuperarem memórias ao cantar. Pessoas com ansiedade conseguirem regular a respiração e o corpo pelo ritmo.”
Essas são algumas das experiências relatadas pelo musicoterapeuta e professor de música Iron Gaburro, que atua em Cachoeiro de Itapemirim.
Nesta semana, conversamos com o musicoterapeuta sobre o poder da música no cuidado em saúde. Com trajetória ligada à arte e à docência, Iron encontrou na musicoterapia o propósito de unir talento, emoção e ciência.
O que é, afinal, a musicoterapia
A musicoterapia é um processo terapêutico que utiliza a música e seus elementos como som, ritmo, melodia e harmonia de forma intencional, para promover saúde, desenvolvimento e bem-estar. Inicia.
A música acessa áreas do cérebro e da emoção que a fala nem sempre alcança. Além do emocional, há efeitos físicos: o ritmo influencia a respiração, batimentos e coordenação motora, podendo auxiliar em reabilitação, no controle da dor e no sono.
Clica aqui e veja um vídeo do musicoterapeuta explicando como a sessão funciona.
Ele explica que o que torna a musicoterapia diferente é a intencionalidade. A música deixa de ser entretenimento e se torna um recurso clínico de transformação e cura.
Do palco à clínica: a arte ao cuidar da saúde
A trajetória de Iron sempre esteve ligada à arte: cantar, tocar, viver nos palcos. Até que percebeu que a música poderia ir além da emoção artística e se tornar cuidado em saúde.

“Quando conheci a musicoterapia, vi que poderia usar meu talento não apenas para emocionar, mas para ajudar pessoas a se desenvolverem, se comunicarem e superarem desafios. Foi aí que encontrei meu propósito”, recordou.
Mesmo quem não tem diagnóstico pode se beneficiar. Há pessoas que procuram a musicoterapia para lidar com estresse, ansiedade, insônia ou até para desenvolver habilidades sociais.
Reforça que ouvir música por conta própria é terapêutico, mas não é musicoterapia: a diferença está no processo conduzido por um profissional, que avalia, planeja e aplica técnicas específicas.
Com a inclusão da musicoterapia no SUS, como você enxerga essa abertura?
Vejo como um avanço enorme para a profissão e para a população. Significa que mais pessoas terão acesso a esse recurso de saúde, e que o reconhecimento da musicoterapia como ciência e prática terapêutica está se consolidando.
Ele acrescenta que a musicoterapia também pode ser usada na prevenção de sintomas como estresse e qualidade do sono por exemplo. Além disso, em projetos sociais a música promove inclusão, reforça laços comunitários, melhora a qualidade de vida e até contribui para a prevenção da violência.
O cenário capixaba: desafios e avanços no ES

No Espírito Santo, a musicoterapia ainda é uma área em crescimento. Em Cachoeiro, cada vez mais pessoas conhecem a prática, ainda existe a confusão com aulas de música mas aos poucos estamos mostrando resultados concretos e conquistando espaços.
Um dos maiores desafios é levar a musicoterapia para regiões onde não há profissionais disponíveis, ampliando o acesso. Outro ponto importante é a formação de novos musicoterapeutas, garantindo que a prática cresça de forma sólida e alcance mais pessoas.
Que mensagem Iron, você deixa para nós hoje no dia do Musicoterapeuta?
A mensagem que eu deixaria para a sociedade no Dia do Musicoterapeuta é: permitam-se conhecer a musicoterapia. A música tem um poder transformador imenso, e quando usada de forma terapêutica pode abrir caminhos para saúde, comunicação e qualidade de vida que muitas vezes a gente nem imagina.
Iron ainda deixou uma música que representa bem sua atuação:
“November Rain”, do Guns N’ Roses. Ela traz intensidade, emoção e transformação — exatamente como a música age dentro de cada pessoa no processo terapêutico”, finaliza o musicoterapeuta.
Vamos aproveitar e curtir esse som?









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