O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, lembrado em 10 de setembro, é um alerta global sobre a importância de falar abertamente sobre um tema que ainda carrega muitos estigmas. A data faz parte da campanha Setembro Amarelo, movimento que mobiliza profissionais de saúde, instituições e a sociedade em prol da conscientização e valorização da vida.
Falar sobre suicídio não incentiva o ato, mas cria espaço para acolher, compreender e oferecer alternativas de apoio a quem sofre em silêncio. Para aprofundar o tema, conversamos com a psicóloga empresarial Jânia Correia, especialista em desenvolvimento de pessoas e organizações, com a saúde mental como pilar central de sua carreira.
Segundo Jânia, o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é fundamental para quebrar o silêncio em torno do assunto.
“O suicídio ainda é cercado de estigmas. Falar sobre isso de forma responsável é um passo essencial para salvar vidas”, afirma.
A especialista destaca que sinais de alerta merecem atenção, como isolamento repentino, mudanças bruscas de humor, falas sobre morte ou desesperança, perda de interesse por atividades antes prazerosas e descuido com a própria saúde.
Amigos e familiares podem desempenhar um papel importante no apoio: ouvir sem julgamentos, acolher os sentimentos da pessoa e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes que fazem diferença.
“O mais importante é mostrar que ela não está sozinha”, reforça Jânia.
A psicóloga também explica que a prevenção envolve múltiplas estratégias. Terapia individual, grupos de apoio e mudanças no estilo de vida, como prática de atividade física, sono adequado e manutenção de vínculos sociais , devem atuar de forma combinada, já que cada pessoa tem necessidades diferentes.
Jânia alerta ainda para os principais mitos sobre o suicídio, como “quem fala não faz”, “suicídio é fraqueza” ou “é apenas para chamar atenção”. Segundo ela, essas crenças são equivocadas e perigosas, enquanto falar sobre o assunto pode ser justamente um pedido de ajuda.
No Brasil, existem recursos gratuitos e sigilosos para quem precisa de apoio, como o CVV (Centro de Valorização da Vida), pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br, além de serviços do SUS, disponíveis nos CAPS e unidades básicas de saúde.
Jânia reforça que escolas, empresas e instituições públicas têm papel direto na promoção da saúde mental.
“O esforço coletivo fortalece a prevenção. Educação socioemocional nas escolas, políticas de bem-estar nas empresas e ampliação do acesso a serviços públicos são essenciais”, afirma.
No dia a dia, cuidar da saúde mental envolve estabelecer limites, cultivar relações saudáveis, praticar atividades que tragam prazer e manter hábitos de autocuidado, além de buscar ajuda sempre que necessário.
“Reconhecer vulnerabilidades é sinal de maturidade, não de fraqueza”, pontua a especialista.
Para encerrar, Jânia deixa uma mensagem direta:
“A sua vida tem valor. Por mais desafiador que o momento pareça, sempre há caminhos e pessoas dispostas a ajudar. Falar é um ato de coragem, e pedir apoio pode ser o primeiro passo para a transformação. Nunca se cale diante da dor. Você não está sozinho.”









Deixe um comentário